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Um movimento pela vida das mulheres

Ruralinas se organizam para combater violência dentro da UFRRJ

por Jéssica Rodrigues

Cansadas da omissão e falta de segurança, estudantes de diferentes cursos se organizaram para realizar uma série de manifestações no mês de abril. Maioria na universidade, a mulheres têm se esforçado no combate ao machismo dentro da UFRRJ,  exigindo que seus corpos e espaços sejam respeitados e que o direito de ir e vir com segurança seja garantido.

Existem mais de 600 relatos de casos de violência dentro da universidade desde 1970. Criada para mapear os depoimentos e denúncias de crimes contra as ruralinas, a página de facebook Abusos Cotidianos lista entre as vítimas estudantes, professoras, servidoras e terceirizadas.

Alguns desses casos aconteceram fora do campus da UFRRJ, na cidade de Seropédica, mas na maioria deles os violentadores eram alunos. Até hoje nenhuma medida de segurança ou rede de atendimento à mulher em caso de violência foi colocada em prática, além dos agressores nunca terem sofrido punição e andarem livremente pela Rural.

 

“Festão das Mina”

No dia 19 de abril, uma festa na Cooperativa dos Alunos da Universidade Rural, CAUR, reuniu toda a comunidade ruralina em luta contra a violência às mulheres. Sem nenhum organizador homem, o festão aglomerou diversas formas de expressão cultural em denúncia à perversa lógica machista de que a culpa pelas agressões, abusos e estupros nunca é do agressor, mas das vítimas, das roupas, do álcool.

A convidada especial foi MC Sabrina. De origem humilde, Sabrina é uma estrela no cenário feminino do funk. A MC, que reforçou a importância da luta das mulheres, inflamou o público e parabenizou as meninas do #MeAvisaQuandoChegar.

O evento também contou com performances de dança do ventre, oficina de stêncil, exposições de artes, malabares, tecido, tatuagens durante a festa, show de forró e intervenções produzidas pelas mulheres.

 

Dia de Luto e Luta 

O dia 27 de abril foi escolhido como mobilização nacional pela luta contra a violência às mulheres. As aulas da universidade foram suspensas, segundo deliberação do CEPE e do CONSU, para que toda a comunidade universitária pudesse participar das atividades organizadas para esse dia. O Dia de Luto e Luta também aconteceu em diversas universidades do país que se sensibilizaram e decidiram apoiar a causa.

Diversos debates foram promovidos para discutir o machismo existente no âmbito universitário e na sociedade em geral. Uma das primeiras mesas, “Roda de Conversa: Acolhimento às vítimas de abusos sexuais” aconteceu no salão vermelho do Instituto de Biologia e teve como objetivo criar um espaço seguro e respeitado para que sobreviventes pudessem compartilhar suas histórias e apoiar umas as outras.

Dentre as mesas, uma restrita ao público masculino. Com o título “Roda de Conversa: Homens vamos falar de machismo?” a mesa coordenada por Luana Vitório e Nicolle Berti (únicas mulheres presentes) permitiu aos homens a exposição de suas ideias e contradições sem nenhum constrangimento.

 

A opressão diária das estudantes

Ser mulher e estudante é conviver diariamente com diversos tipos de violência. São comuns os trotes em que calouras são humilhadas, assediadas e obrigadas a encenar atos sexuais com os veteranos. Dentro das salas de aulas diversas vezes as estudantes tem suas ideias subjugadas somente por serem mulheres.

A estudante de Geografia Maria Carolina fala sobre a semelhança das opressões que as mulheres sofrem no âmbito universitário e no mercado de trabalho. “Existe uma subjugação da mulher, achar que ela não vai ter competência de executar algum trabalho, simplesmente por ela ser mulher. Isso se agrava por uma série de questões que a gente tem de algumas mulheres não alcançarem os mesmo espaços que os homens pela criação que a mulher recebe, que ela não tem que ser uma líder, não tem que ser uma chefe de empresa, e aí quando você tem uma mulher que consegue chegar nesse cargo isso incomoda e isso gera uma reação de inferiorizar o tempo todo essa mulher”, ponderou.

O #MeAvisaQuandoChegar promete realizar muito mais manifestações e atividades até que a Reitoria assuma a responsabilidade sobre a violência existente contra as mulheres na universidade; dê seguimento aos processos já abertos para que os agressores sejam responsabilizados; e crie medidas de segurança para que os abusos não voltem a ocorrer.


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