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Nem mesmo no ambiente de trabalho as mulheres podem se sentir segura

Assessoria de  Comunicação da ADUR-RJ

05 de abril de 2023

Divulgadas no fim de semana pela imprensa, são graves as denúncias que envolvem episódios de assédio contra mulheres que trabalham  no Centro de Pesquisas (Cenpes) da Petrobras, na Ilha do Fundão. Os casos foram relatados há mais de seis meses para a empresa, que só demitiu o funcionário Cristiano Medeiros de Souza depois de uma denúncia do Ministério Público do Rio (MP-RJ).

A barbaridade dos fatos foi descrita em um ofício de 7 de novembro de 2022 do Sindicato dos Petroleiros do Rio (Sindipetro-RJ). A entidade comunicou a Petrobras que quatro trabalhadoras tinham sido a assediadas sexualmente pelo funcionário da Petrobras, sendo uma delas vítima de estupro, dentro do Cenpes. A investigação interna aberta pela ouvidoria da empresa foi brevemente arquivada, sem nenhuma punição, sob a alegação de falta de provas, como ocorre na maioria dos casos envolvendo assédio contra mulheres.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública estima que, em 2022, 30 milhões de mulheres sofreram algum tipo de assédio: de comentários constrangedores na rua a encoxadas no ônibus. É o equivalente a uma mulher assediada a cada um segundo no país. Um dos tipos de assédio que mais cresceu, segundo a pesquisa, foi o caracterizado por comentários sexuais e constrangedores em ambiente de trabalho: foram 11,9 milhões de mulheres alvos de assédio no meio profissional, o equivalente a um caso por hora. Prova de que nem mesmo no ambiente de trabalho as mulheres podem se sentir seguras.

O mercado de trabalho, majoritariamente, sempre foi ocupado por homens. Embora o movimento feminista tenha conseguido vitórias fundamentais desde 1930 na luta pelos direitos das mulheres e formas dignas de trabalho e liberdade, a luta ainda continua e é preciso expulsar o assedio masculino do ambiente de trabalho. O problema é que o machismo estrutural no Brasil impõe uma espécie de omissão generalizada quando o assunto é assédio.

No recente caso envolvendo a Petrobras, ele ocorreu apesar de um documento do Sindipetro-RJ afirmar, ainda em 2022, que “diante da gravidade da situação e da insegurança gerada, uma das vítimas pediu demissão”. O sindicato cobrou proteção das mulheres e celeridade na apuração das denúncias, apontando que o empregado era conhecido na unidade “pela forma desrespeitosa como trata as mulheres, em especial aquelas de empresas contratadas”.

O Coletivo Nacional de Mulheres Petroleiras da FUP cobra que a Petrobrás envolva as trabalhadoras e os trabalhadores na discussão de medidas efetivas de prevenção e combate ao assédio sexual e moral. E pede que os sindicatos atuem em conjunto com a empresa, o que, lamentavelmente, não ocorreu até agora. A FUP e seus sindicatos vêm há tempos denunciando casos de assédio contra mulheres nas unidades do Sistema Petrobras, sem que as devidas providências sejam tomadas.

A ADUR-RJ repudia o episódio ocorrido dentro da principal estatal brasileira, e, principalmente, a omissão de muitos membros da diretoria diante do caso. Estamos ao lado das trabalhadoras da Petrobras e em defesa de uma universidade livre do machismo.  Vivemos uma aparente paz social porque a política hegemônica é de invisibilizar as agressões pelas quais passam as mulheres, as pessoas negras, as pessoas trans e as pessoas não-heterossexuais. O machismo não pode ser tolerado! Não é normal que haja abusos! Procure apoio e denuncie!


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