Com a indicação de Renato Feder para Ministério da Educação, Bolsonaro escancara seu projeto de privatização para a educação brasileira
O governo Bolsonaro passou a última semana em silêncio preocupado com a possibilidade da delação de Fabrício Queiroz, ex-assessor do seu filho, o senador Flávio Bolsonaro. Mas o Palácio do Planalto não contava com a confusão que seria a escolha do novo ministro da Educação. Isso tem ocasionado um constrangimento entre Bolsonaro e seus três principais aliados, olavistas, militares e evangélicos.
A indicação do secretário de Esporte e Educação do Paraná, Renato Feder, para substituir Abraham Weintraub depois de Carlos Decotelli desagradou ambas as partes. O núcleo da ala militar do governo, que até agora não “engoliu” a demissão de Carlos Decotelli – um oficial da reserva que foi professor da Escola de Guerra da Marinha – não aprova a nova indicação para a pasta e exige que a escolha seja um nome ligado aos quadros das Forças Armadas.
Os argumentos dos olavistas passam pela tentativa de Bolsonaro agradar aos empresários e a ligação do novo postulante com a campanha que elegeu João Doria (PSDB-SP) para governador. E os evangélicos através do pastor Silas Malafaia mandaram uma mensagem ao presidente, cobrando que ele nomeie para o MEC um gestor com “o mesmo viés que ele acredita”. Esta pressão fez com que Bolsonaro adiasse o anúncio do novo ministro e mostrou quem manda nos destinos do Palácio do Planalto.
Em relação ao novo indicado para o MEC, uma reportagem publicada pelo site The Intercept revelou que graças a Feder, alunos de 165 municípios estão desde abril sem aulas. Ele contratou, com dispensa de licitação, uma rede afiliada da TV Record no estado para transmitir vídeo-aulas para alunos da rede estadual durante a pandemia de covid-19. No entanto, a empresa escolhida não possui sinal de transmissão em quase a metade do estado. Mais de 2 milhões de pessoas vivem nas cidades que ficaram no escuro educacional – o que é quase um quinto da população do Paraná.
_“Caso se concretize a escolha do empresário Renato Feder para ocupar o cargo de ministro da Educação, fica claro a posição do governo de levar adiante o seu programa de privatização do ensino superior e, com isso, dificultar o acesso das classes D e E nas universidades”,_ declarou a Direção da ADUR-RJ. A Associação dos Docentes da UFRRJ reafirma sua posição de conclamar as forças progressistas e democráticas na defesa de uma educação pública, gratuita e para todos.
Diretoria da ADUR-RJ
Resistência e Luta na Pluralidade
(Biênio 2019-2021)
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