ADUR saúda os docentes no retorno das atividades presenciais: na luta pela defesa da educação pública!
2 de junho de 2022
Reportagem da Semana
Imprensa ADUR-RJ
Na última segunda-feira, 30 de maio, a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro deu início a mais um período letivo presencial, o de 2022.1. O calendário acadêmico, aprovado em abril deste ano pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) da UFRRJ, foi intensamente debatido em reuniões para estabelecer uma programação que minimize os danos no ensino causados pelos impactos da pandemia de COVID-19.
A representação docente levou uma posição para o CONSU, a partir de uma consulta rápida com a categoria, que questionou a necessidade de cumprir os 100 dias letivos, uma vez que o Ministério da Educação retirou a Medida Provisória que autorizava o cumprimento de apenas 75% do calendário acadêmico.
O calendário para 2022-2 e 2023-1 ainda está em discussão. A ADUR vem acompanhando de perto esse processo e a Diretoria da Associação ressalta que ocorreram falhas no diálogo da Reitoria com a categoria docente. A pedido dos conselheiros do CEPE, a ADUR realizou uma reunião ampliada com os docentes para debater como seria o ajuste do calendário 2022/2.
A proposta da reitoria era que as aulas acabassem dia 18 de dezembro e já tivessem início na segunda semana de janeiro próximo. A professora e conselheira eleita Clarice Menezes (IM/UFRRJ) encaminhou uma proposta de calendário que foi defendida pela ADUR para que o encerramento do período de 2022.2 seja em 20 de dezembro e que as aulas do período seguinte retornem em 20 de janeiro, para que as férias de 2022.2 sejam preservadas. A proposta ainda será discutida na próxima reunião do CEPE.
A ADUR tem mantido um debate permanente com a representação docente no CEPE e discussões no Grupo de Trabalho de Política Educacional (GTPE). No CEPE previsto para o período do recesso, com a pauta dos calendários, a representação docente e a ADUR defenderam o adiamento do dia. O CEPE, que não teve quórum e foi remarcado para o dia 8 de junho. Para aprofundar esta discussão e o debate sobre o teletrabalho, a ADUR realizará uma reunião do GTPE na próxima segunda-feira, dia 6 de junho, às 14h.
Teletrabalho: os riscos para a educação pública
No dia 17 de março deste ano, o Governo Federal, usando de suas prerrogativas, criou o Decreto 11.072 sobre o teletrabalho, com a intenção de que a medida fosse aderida pelas instituições públicas. A UFRRJ fará uma audiência pública no próximo dia 7 de junho com a finalidade de tratar e debater as consequências da adesão ao teletrabalho.
A professora Beatriz Wey, diretora da ADUR que irá representar a Associação no encontro, pontuou a preocupação com mais esse decreto. “Nossa carreira docente não prevê a modalidade do teletrabalho, que segue no formato presencial e EAD. Não podemos aderir a esse formato que esvazia as universidades e institutos federais, compromete a qualidade do ensino e a formação profissional e acadêmica dos discentes, divide os professores no exercício da docência e ainda fere nosso formato prioritário de aulas presenciais”.
A diretora reforça que a ADUR apoia o posicionamento do SINTUR-RJ quanto à adesão e se atenta para as sérias consequências para a educação e para a carreira docente que uma possível implantação do teletrabalho traria para as universidades e institutos federais.
“O teletrabalho é uma demanda de setores das instituições públicas, no entanto, não pode interferir no bom atendimento à sociedade. Nas universidades e institutos federais, em diálogo com os Técnicos Administrativos, o teletrabalho poderá se implantar para algumas atividades, mas para isso um amplo debate se faz necessário, sobretudo pelo fato de que não precisamos aderir a um decreto que não tem força de lei. A saber, será preciso passar pelo Congresso para que se torne obrigatório.”, ressaltou ela.
A reunião aberta do GTPE da ADUR que acontecerá na próxima segunda-feira, dia 6 de junho, tem essa temática como um dos pontos de pauta. A Diretoria da ADUR convoca todos os professores e todas as professoras a participarem da audiência pública no dia X. O próximo encontro do Conselho de Representantes também pautará o tema e avaliará encaminhar para uma Assembleia Geral do Sindicato o debate e uma possível deliberação da categoria.
Balanço geral do retorno presencial
Após praticamente dois anos inteiros de trabalho e ensino remoto, a UFRRJ teve uma retomada das atividades acadêmicas presenciais em seus campi de Seropédica, Nova Iguaçu e Três Rios no início do mês de março de 2022.
A retomada integral das atividades presenciais seguiu a decisão judicial proferida pelo Tribunal Federal Regional da 2ª Região (TRF2). O Colégio Técnico da UFRRJ (CTUR) também estava incluso neste cronograma. O retorno foi monitorado pelo Comitê de Acompanhamento do Coronavírus na UFRRJ, que definiu uma série de medidas de proteção sanitária para que a comunidade universitária estivesse segura. Dentre elas, a necessidade de apresentação do comprovante de vacinação completo contra a COVID-19 e a obrigatoriedade do uso de máscaras dentro das dependências da universidade.
Para a pró-reitora de graduação da Rural, Nídia Majerowicz, o retorno foi mais tranquilo do que o esperado, apesar de ter exigido um grande esforço da instituição em diferentes dimensões. “Há um intenso trabalho de recuperação dos espaços acadêmicos, o cuidado na readaptação de técnicos-administrativos, docentes e discentes ao cotidiano presencial, sempre com a preocupação e as precauções sanitárias para conter a circulação do vírus da COVID-19”, relatou.
Parte disto se deve, segundo Majerowicz, ao fato evidente de que muitos estudantes não retornaram no último período letivo, um fenômeno observado em muitas universidades públicas federais. De acordo com ela, cerca de 3500 estudantes da UFRRJ não se matricularam em nenhuma disciplina no semestre passado. E por isso, a Universidade ainda está avaliando o desempenho dos discentes após o final de 2021-2, justamente por conta do alto índice de trancamento de disciplinas.
Um outro fator que agrava a situação da UFRRJ diante do atual cenário é o corte orçamentário rigoroso imposto pelo governo federal nos recursos destinados às Instituições Federais de Ensino Superior (IFES). “Segundo a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES), o orçamento de 2022 é inferior à metade do orçamento executado em 2015”, ressaltou a professora Nídia. Ela ainda destacou que essa redução drástica impacta diretamente na capacidade da instituição de investir em políticas de assistência e permanência estudantil, como por exemplo, no caso da Rural, o andamento da obra de reestruturação do Restaurante Universitário do campus de Seropédica, que ainda não foi finalizada, mas tem previsão de conclusão para agosto de 2022.
No dia 30 de maio, o governo Bolsonaro anunciou um novo corte orçamentário de 15% das verbas direcionadas para a educação pública. De acordo com a ANDIFES, o corte do orçamento do Ministério da Educação é de R$ 3,23 bilhões, representando uma perda de mais de 1 bilhão de reais para a educação superior.
Na abertura da Aula Magna do período letivo de 2022.1 na UFRRJ no dia 1º de junho, os estudantes fizeram uma manifestação denunciando as condições inadequadas da alimentação no Restaurante Universitário. A ADUR se solidariza com os estudantes, e aguarda o acolhimento das pautas apresentadas à reitoria pelo DCE.
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