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Semana do Orgulho LGBTQIA+ na ADUR – Clarice Menezes

🏳️‍🌈 Seguindo a série de postagens produzidas pela ADUR para celebrar o dia 28 de junho, Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, a ADUR traz, durante a semana, relatos de professores da UFRRJ sobre a experiência, na academia, enquanto pessoas LGBTQIA+.

✊🏼 💬 O relato de hoje é da professora do Departamento de Ciências Econômicas do Instituto Multidisciplinar da UFRRJ, Clarice Menezes. Ela conta que teve dificuldades no início da carreira acadêmica, especialmente no espaço da sala de aula. Ela afirma hoje lidaria de forma diferente com o problema, apontando para uma questão social, e não apenas individual. Clarice também afirma que “tenho muito, mas muito orgulho de ser uma professora sapatão”.

🗣️ Confira o relato completo de Clarice a seguir.

 

Olá, eu sou Clarice, sou professora de economia do Instituto Multidisciplinar e vim aqui hoje fazer um depoimento sobre a minha experiência enquanto mulher lésbica para a ADUR em comemoração ao Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+. 

Eu fiz questão de fazer esse depoimento porque eu enfrentei uma dificuldade muito grande na minha carreira acadêmica quando eu me tornei professora, em 2008. Essa dificuldade dizia respeito muito à exposição relacionada à sala de aula, à dificuldade de estar em uma sala de aula, de me expor, de estar na frente daquela plateia. O que me levou a ter a necessidade de fazer tratamento psiquiátrico e de fazer uso de calmantes durante, pelo menos, os sete ou oito primeiros anos da minha carreira profissional.

E o uso desses calmantes, desses remédios, de forma prolongada durante tanto tempo acabou trazendo diversas consequências para a minha saúde, especialmente relacionadas à uma perda de memória precoce. E hoje, olhando para a minha trajetória, olhando para essa minha história eu tenho muito clareza que essas dificuldades estão totalmente relacionadas à minha condição de lésbica. Hoje eu tenho muita clareza que está diretamente relacionado à forma como a sociedade nos trata, a forma como a sociedade nos olha, nos colocando sempre para baixo, nos fazendo sentir com vergonha, desmerecendo nossas escolhas, desqualificando a nossa existência.

E eu fiz questão de vir gravar esse depoimento aqui, hoje, porque eu imagino que isso possa ser, ainda, a experiência de muitas pessoas quando vão seguir nas suas carreiras acadêmicas. A sociedade continua tendo esse olhar, a sociedade continua nos tratando mal e portanto esse sentimento que eu experimentei, essa dificuldade ainda pode ser bastante comum para a população LGBTQIA+.

E eu gostaria de dizer, finalmente que, se fosse passar por esse problema novamente, se eu tivesse enfrentando dificuldades dessa natureza hoje, eu lidaria com elas de uma forma bem diferente. Eu encararia essas dificuldades como um problema social, como um problema coletivo, como um problema que tem que ser enfrentado pela sociedade. Então eu procuraria associações, procuraria coletivos, me fortaleceria, procuraria o sindicato, colocaria esse problema no plano onde ele deve estar: que é um problema da nossa sociedade.

E para terminar eu queria dizer que eu tenho muito, mas muito orgulho de ser uma professora sapatão. Um beijo.


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