8M na Baixada
Mulheres de Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Nilópolis, Seropédica e região promovem ato para marcar o Dia Internacional da Mulher
No dia 8 de março, uma greve internacional mobilizou mulheres de diferentes classes sociais por todos os cantos do mundo. Elas foram às ruas para protestar por igualdade de direitos e melhores condições de vida em sociedade. A pauta é extensa e inclui questões como o crescente índice de feminicídio, a necessidade de direitos sexuais e reprodutivos, o reconhecimento do trabalho doméstico e de cuidado, o combate ao racismo, a luta contra a reforma da previdência, entre outros.
Em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, também aconteceu protesto para marcar o data. Moradoras da região, a maioria jovens, fizeram um ato político na Praça dos Direitos Humanos. Elas leram poesias, apresentaram os coletivos que integram, contaram como têm se organizado em suas escolas, universidades, bairros para lutar pelos direitos das mulheres.
“A gente acha muito importante fazer um ato aqui porque podem vir poucas meninas, mas a gente acha importante fazer um movimento na Baixada, com as pessoas daqui”, explicou Jenifer Stefani da Silva, estudante do curso de História da UFRRJ no campus em Nova Iguaçu e integrante do centro acadêmico. “Além de ser um ato relacionado à questão de gênero, é um ato social para a gente pensar na dificuldade de avançar o debate principalmente em lugares mais periféricos, e de como a gente pode fazer isso nos lugares que nós estamos inseridas”, completou a estudante que também administra a página Ajude uma Ruralina.
Um dos coletivos presentes foi o Minas da Baixada que é formado por mulheres de Nova Iguaçu, Nilópolis, Caxias e Mesquita. O grupo surgiu a partir da movimentação do Circuito Mulheres Mobilizadas que aconteceu em março de 2016 e, desde então, promove atos políticos, participam de protestos e mantém um grupo de apoio aos trabalhos desenvolvidos por mulheres dos coletivos.
“O nosso papel é esse, participar dos atos que acontecem na Baixada, colar junto. E como no nosso grupo muitas meninas têm muitas dúvidas, a gente está trabalhando com textos também”, contou Erika Fagundes, historiadora, moradora de Nova Iguaçu e integrante do Coletivo.
Um dos relatos mais marcantes foi o de Stefany Rocha, estudante secundarista do Colégio Estadual Dom Walmor e integrante do Grêmio Estudantil. Ela contou que o Grêmio promoveu, com o apoio das professoras da escola, um debate sobre o Dia Internacional da Mulher e isso comoveu a comunidade estudantil.

Stefany relatou a comoção que o debate sobre o Dia Internacional da Mulher causou em sua escola. (Foto: Pollyana Lopes)
“Vocês não tem noção como um debate sobre a mulher, sobre o feminismo, sobre a luta da mulher, comoveu o meu colégio. No início ninguém deu muita importância, mas o auditório estava cheio e todo mundo nos ouviu. Nós mesmas, estudantes, meninas, falando os nossos problemas, o que nós passamos por ser mulher, as opressões que nós sentimos. Mulheres negras falando. Eu vi os jovens se emocionando, os meninos pedindo voz para nos dar parabéns e até pedir desculpas por serem machistas”, contou.
As mobilizações pelo Dia Internacional da Mulher não se esgotaram no ato. Dentre as várias atividades que acontecerão este mês, um dos destaques é a III Semana da Mulher, que acontecerá entre os dias 27 e 31 de março no Instituto Multidisciplinar da UFRRJ em Nova Iguaçu e contará com extensa programação.
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