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15 DE OUTUBRO, MUITAS RAZÕES A SE COMEMORAR!

Adur online

15/10/2020

Por Lúcia Valadares Sartório

 

Platão (427 a.C.-347 a.C.) afirmara que “todas as coisas têm sua função. Assim, como a função do olho é ver e a do ouvido, ouvir, a função da alma é ser virtuosa e justa, de modo que, exercendo a virtude e a justiça, ela obtém a felicidade”¹ 

 

Seguindo as premissas de Platão, pode-se afirmar que “ser professor” é se vincular a uma profissão em que as pedras no caminho se tornam insignificantes diante da satisfação, realizações, relações humanas estabelecidas e a possibilidade de despertar nos outros a autoconsciência de sua própria individualidade e liberdade, de pertencimento à comunidade humano-social. 

Assumindo o caráter da profissão, que delineia em grande medida a sua inserção e o modo de agir na sociedade, o (a) professor (a) envereda por um caminho muito especial, pois tal qual o artista, o psicanalista, o músico e o poeta, o seu trabalho imaterial está no campo da subjetividade, na relação entre mentes e corações, cumprindo um papel extremamente significativo para cada indivíduo: a possibilidade de compreensão da realidade em sua totalidade natural e social. 

Na obra “A paixão de conhecer o mundo”, Madalena Freire² realçou com vigor o sentido e significado do papel do educador em todos os níveis de ensino, como um cordão umbilical entre indivíduos e a história da humanidade, permitindo-o a se como parte de uma “comunidade humano social”, expressão delineada por Marx³ nas Teses sobre Feuerbach

Não por acaso, seu trabalho existente na forma como conhecemos, desde a Antiguidade, instiga cada indivíduo a se desenvolver cotidianamente, a atravessar um processo de consciência e autoconsciência, isto é um processo de descoberta e compreensão do mundo, da realidade física e social permeada nas diferentes áreas da ciência, pelas diferentes formas de se materializar a arte, a linguagem, o campo infinito da atuação humana. O despertar mentes e corações ao processo de desenvolvimento humano, à liberdade, à integridade, ao engajamento na sociedade em que pertence sempre foi o ideal almejado pelos povos, mas nesse atual contexto do capitalismo tardio, em que a ordem do dia é o clamor da mercadoria e do poder econômico, esse modo de ser se constitui numa subversão. 

Justamente por suas qualidades humanas, o professor é atingido por diferentes medidas que visam arrebatar a sua existência, o seu lugar histórico no mundo, a sua formação intelectual, a sua independência ideológica, a sua produção científica, pois ao tolher o desenvolvimento das capacidades humanas, almeja-se consolidar tão somente a sociedade de massas, a uniformização completa dos indivíduos, através do pensamento único e subserviência ao deus mercado, o campo da competição acirrada e aniquilamento dos perdedores, fracos, desvalidos, como previa o filósofo aristocrata Nietzsche.

O que precisam saber é que o educar atua num campo eminentemente humano e a educação, como o trabalho, é uma categoria ontológica, universal, pois a relação humana existe desde que o homem é homem, desde a pré-história, é parte da própria forma de ser dos homens. 

É reconhecido, com muita angustia, o profundo processo de desumanização impulsionado pelas classes dominantes, sem o qual não podem reinar e emplacar seu projeto horrendo. Mas estar aqui neste lugar, no campo da educação, traz a imensa satisfação de existir, de pertencer a esta humanidade com suas conquistas e belezas. É um conforto enorme saber que, apesar daqueles que tentam impedir o livre curso da história, ele prossegue, a realidade está em movimento, a sociedade caminha e se desperta, pois o futuro está em curso. 

 

Notas:

  1. https://educacao.uol.com.br/disciplinas/filosofia/filosofia-e-felicidade-o-que-e-ser-feliz-segundo-os-grandes-filosofos-do-passado-e-do-presente.htm?cmpid=copiaecola
  2. FREIRE, Madalena. A paixão de conhecer o mundo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983. 
  3. MARX, Karl. Teses sobre Feuerbach. São Paulo: Conrad, 2004.

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