(21) 2682-1379 Fale Conosco
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Quarentena: questão sanitária enfrenta a ganância do capital

Poucas vezes a crueldade do sistema capitalista mostrou suas garras com tanta displicência quanto no discurso do presidente Jair Bolsonaro, transmitido ao vivo na noite do dia 24. Até mesmo alguns antes ferrenhos apoiadores seus recuaram, perplexos. Analistas internacionais vislumbram uma ação orquestrada com o presidente dos EUA, Donald Trump. Outros, concluíram que o mandatário, percebendo a maior crise desse século se avizinhando, pretende ser retirado do cargo, ficando assim livre da responsabilidade. Várias teorias, enfim, surgiram para tentar dar uma explicação plausível ao incompreensível.

Mas, não importa o motivo, o pronunciamento deixa explícito aquilo que já sabíamos há tempos: para o grande capital, 5.500 vidas humanas – previsão de mortes por coronavírus em 6 de abril, no Brasil, segundo a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) – valem menos do que um prejuízo financeiro. No País em que três bancos particulares aumentaram sua já imensa taxa de lucro em 13%, em um ano estagnado para o restante dos cidadãos, o governo libera R$ 68 milhões e anuncia que irá dispor de mais R$ 1,2 trilhão para ’salvar’ os bancos – o maior aporte de dinheiro público jamais realizado para salvar uma instituição – e anuncia a possibilidade de corte de salários enquanto durar a pandemia.

Nos últimos dias, os empresários liberais, acostumados a obter lucros particulares a partir de investimentos bancados com empréstimos públicos, viram-se confrontados com algo, para eles, inédito: a necessidade concreta e premente de solidariedade. Isso porque o País é habitado por uma massa de pessoas que trabalha de dia para comprar o jantar da noite, literalmente. Mães que são faxineiras e recebem a diária de trabalho, com a qual compram mantimentos ou pagam o fiado na vendinha. Vendedores e entregadores que fazem a conta no final do dia, antes de decidir o que irão levar para casa. Essas pessoas podem morrer nos próximos dias. Não pela ação de um novo coronavírus, que provoca uma nova doença, mas por uma causa mortis muito antiga: a fome.

Já falta comida nas favelas, e essa é a realidade de quem pesquisa a vida real fora das mídias; nas ruas. Os serviços de saúde não estão entrando em colapso nos rincões do Brasil; já não funcionam há tempos. A alegação de que parar a economia iria prejudicar ainda mais essa parcela da população chega a ser macabra, ela já é a ponta mais fraca do sistema, a que sofre antes as consequências de todos os problemas e raramente colhe os frutos das melhorias. Acostumada a ser ignorada pelas classes dominantes, na recente pandemia ela se vê frontalmente atacada. Um empresário da terceira idade, talvez iludido pelas tantas cirurgias plásticas que fez, declara que ‘tudo bem, só os velhos morrerão’. ‘Não dá para parar a economia só porque vão morrer umas 6 ou 7 mil pessoas’, fala, a sério, o vendedor de hambúrgueres de prenome Júnior – entregando a condição de herdeiro já na assinatura.

A vida sempre foi mais fácil para quem nasce em berço esplêndido, no Brasil e no mundo. Mas, poucas vezes, a localização geográfica foi tão distintiva entre a vida e a morte. Talvez o sistema capitalista não sobreviva sem uma imensa parcela de pessoas que são, simultaneamente, mão de obra barata e consumidores acríticos. Mas, quem quer pagar o preço de descobrir isso? Alguns, talvez por não conseguir enxergar além de seus cofrinhos, não se importam com isso. A situação é nova mas a atitude, conhecida. A novidade é que o Ministro da Economia está alinhado ao governo e aos que não se incomodam, para quem a vida humana vale menos do que um balanço financeiro momentaneamente negativo.

Fonte: ANDES-SN

Mais Notícias

ADUR defende com veemência o veto ao PL da Dosimetria

Postado em 18/12/2025

18 dezembro 2025 A ADUR manifesta profunda preocupação com a aprovação, pelo Senado Federal, do chamado PL da Dosimetria, que leia mais


Nota da ADUR sobre funcionamento remoto (17/12/2025)

Postado em 17/12/2025

17 dezembro 2025 Diante das fortes chuvas que atingiram o Rio de Janeiro na madrugada desta terça-feira (17/12) e considerando leia mais


ADUR participa e apoia as mobilizações nacionais contra o PL da Dosimetria que tenta reduzir as penas de Bolsonaro e de outros golpistas

Postado em 15/12/2025

15 dezembro 2025 Milhares de pessoas ocuparam as ruas de mais de 40 cidades do país no domingo (14/12/2025) em leia mais


ADUR manifesta profundo pesar pelo falecimento do professor Ary Carlos Xavier Velloso

Postado em 14/12/2025

14 dezembro 2025 A ADUR manifesta profundo pesar pelo falecimento do professor Ary Carlos Xavier Vellos, ocorrido em 14 de leia mais


Todos Contra a Reforma Administrativa

Postado em 11/12/2025

11 de dezembro 2025 Uma nova ameaça de Reforma Administrativa volta ao centro do debate político. A PEC 38, em leia mais


ADUR-RJ vem a público manifestar profunda indignação diante dos episódios ocorridos na Câmara dos Deputados

Postado em 10/12/2025

10 dezembro de 2025 A ADUR-RJ vem a público manifestar profunda indignação diante dos episódios ocorridos na Câmara dos Deputados leia mais


Ato Contra o Feminicídio em Copacabana

Postado em 08/12/2025

08 de dezembro de 2025 No último domingo (7) foi realizada a manifestação, em Copacabana, contra o feminicídio, convocada após leia mais


Pesquisa Crucial: Plano de Saúde ADUR-RJ

Postado em 08/12/2025

08 de dezembro 2025 Em conformidade com a decisão da assembleia realizada em 02 de dezembro de 2025, a ADUR leia mais


ADUR: Nas ruas e nas universidades por mulheres vivas  

Postado em 05/12/2025

05 dezembro 2025 A ADUR-RJ se soma às mobilizações nacionais que exigem o fim do feminicídio e de todas as leia mais


Viva a saúde pública brasileira!

Postado em 03/12/2025

03 de dezembro 2026 A ADUR saúda o anúncio de que o Brasil eliminou a transmissão vertical do HIV e leia mais


demais notícias