O assassinato de Vladimir Herzog pela ditadura recebe a devida reparação histórica
27 de junho 2025
A ADUR-RJ, assim como todas as instituições democráticas do país que lutam pelo reconhecimento e reparação das atrocidades cometidas durante a ditadura militar brasileira (1964-1985), celebra o acordo firmado entre o Estado brasileiro e a família do jornalista Vladimir Herzog, torturado e assassinado pelo regime em 25 de outubro de 1975. O ato, firmado em 26 de junho deste ano, marca uma vitória histórica, após quase 50 anos da detenção arbitrária de Vlado, como era conhecido. No dia anterior à sua morte, o então diretor de jornalismo da TV Cultura se apresentou voluntariamente no DOI-CODI, no quartel-general do II Exército, em São Paulo, para prestar esclarecimentos sobre sua ligação com o Partido Comunista Brasileiro (PCB), embora não fosse militante.
A morte perpetrada nos porões da ditadura pelos agentes do Exército, ao contrário do que pretendiam as forças de repressão à época, que apostavam na intimidação das vozes que se levantavam contra o regime, acabou por provocar um efeito catalisador na sociedade, que já manifestava com veemência seu desejo pelo retorno da democracia. O suicídio forjado pelos repressores, que simularam um enforcamento efetuado pela própria vítima, versão desmascarada, apesar da censura à imprensa, diante das lesões de tortura e outros fatores inverossímeis, estimulou a sociedade civil a ir às ruas.
O movimento começou já em 31 de outubro de 1975, quando milhares de pessoas se reuniram em frente à catedral da Sé, em São Paulo, em protesto pela morte do jornalista e repúdio à ditadura, gerando um efeito cascata que estimulou a apuração de outras mortes e desaparecimentos políticos no país. Também no exterior houve manifestações em defesa dos direitos humanos no Brasil e na América Latina, onde repressões semelhantes ocorriam em outros países da região.
Assim, após longa jornada em busca da verdade e da justiça, liderada por Clarice Herzog, que era casada com Vlado, e seus filhos, o atual governo brasileiro, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), reconheceu definitivamente a responsabilidade do Estado no caso, abrindo caminho para a revisão histórica de outras mortes e desaparecimentos durante os anos de chumbo. O acordo firmado prevê a indenização de R$ 3 milhões à família Herzog e o pagamento mensal de R$ 34,5 mil para Clarice. Mais do que essas cifras, no entanto, que não são capazes de ressarcir a perda de nenhuma vida humana, menos ainda a de um brilhante profissional e defensor dos direitos humanos, essa reparação histórica enaltece a democracia, o estado democrático de direito e a luta pela liberdade. Em essência, manifesta repúdio a qualquer forma de repressão e ditadura no país.
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