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Live promovida pela ADUR debate a presença de mulheres na direção do Movimento Sindical

14 de março de 2025

Comunicação da ADUR

Em mais uma atividade que marcou o Dia Internacional da Mulher, a ADUR-RJ realizou uma live, em 12 de março, que avaliou as dificuldades encontradas pelas mulheres ao assumirem postos de liderança no movimento sindical. O encontro on-line reuniu as presidentas do Sindicato dos Profissionais Servidores Públicos de Campos dos Goytacazes (SIPROSEP), Elaine Leão; da Associação de Gerentes da Caixa Econômica Federal do Rio de Janeiro (AGECEF), Maria Oliveira; e da Associação de Docentes da Universidade Federal do ABC (ADUFABC), Maria Carmenez Carlotto. O debate foi mediado pela presidenta da ADUR, Elisa Guaraná, que abriu o diálogo citando seus três anos à frente da Associação dos Docentes da UFRRJ, em dois mandatos, e questionando as participantes sobre os desafios e experiências em ocupar espaços similares em suas respectivas instituições.

Maria Oliveira, primeira mulher a assumir a direção da AGECEF no Rio de Janeiro e a vice-presidência nacional da entidade representativa, revelou as dificuldades, como mulher, de conciliar o espaço do movimento sindical e associativo com o mundo doméstico e privado, como cuidar dos filhos, e ainda administrar a carreira. “São muitas as dificuldade para poder desenvolver a carreira, em função do preconceito geral, da ausência de tempo, incluindo os períodos de interrupção que você tem durante a vida, como durante a gravidez e para cuidar dos filhos. Assim, a dedicação à carreira fica totalmente prejudicada”.

Já para Elaine Leão, presidenta do SIPROSEP, que também integra a Executiva da Federação dos Servidores Públicos do Estado de Rio de Janeiro, e foi a primeira mulher a assumir essa função em uma entidade com 90% de integrantes do sexo feminino, chegar a esse posto foi uma conquista de muitos anos. “Foi um grande desafio ocupar esse espaço tão importante, que como se sabe foi criado pelos homens e para os homens”. Atualmente em seu segundo mandato, ela precisou abrir mão de diversos benefícios e gratificações para assumir o sindicato, mas seus objetivos são claros: “Precisamos ocupar esse espaço para construir um mundo melhor para nós, um mundo mais igualitário e com mais justiça”.

Ao tomar posse em seu primeiro mandato, em junho de 2020, em meio à pandemia do coronavírus, Elaine encontrou muitos preconceitos, como conviver com ideias preconcebidas de que sindicalistas não gostam de trabalhar. Mesmo assim foi com seu grupo de 14 mulheres da direção à rua, apesar da crise sanitária. “Realizamos ações de conscientização e transparência junto aos vários segmentos públicos que compõem o sindicato, e conseguimos mostrar que valia a pena lutar”. Como resultado, o SIPROSEP, que tinha 5 mil filiados quando assumiu, hoje tem quase 8 mil filiados, e conseguiu retomar a luta em defesa de pautas estratégicas, como o plano de carreira, que estava suspenso havia oito anos, entre outras conquistas.

Há 10 anos professora da Universidade Federal do ABC, que dispõe de cursos nas áreas de ciência e tecnologia, portanto atendendo a um público majoritariamente masculino, a presidenta da ADUFABC, Maria Carmenez Carlotto, está em seu segundo ciclo de gestão, o primeiro iniciado em 2016 e o segundo em 2023. Mas em ambos os entraves continuam os mesmos. “As dificuldades que a gente enfrenta no espaço sindical são, em grande medida, as mesmas que as mulheres enfrentam na política em geral, e com alguns agravantes”, afirmou.

“Em ambos, isso significa assumir uma tripla jornada, pois há a jornada da casa, do trabalho produtivo e do trabalho sindical, que também é um trabalho político”, explicou.

Essa jornada tripla é complexa e inerente às mulheres que querem fazer política, frisa Maria Carlotto. E, segundo ela, tem ainda um obstáculo extra: “Além de assumir o peso desses três mundos, temos a dificuldade adicional de nos movimentar em espaços que não foram preparados para as mulheres ou pensados para elas, enquanto os homens já são naturalmente talhados para isso”, argumentou.

Como exemplo das dificuldades encontradas pelas mulheres que participam de movimentos sindicais, Maria Carlotto citou a participação em eventos fora do município de residência. “Quando meu sindicato nacional realiza um congresso em outra cidade, geralmente isso envolve a dedicação de pelo menos cinco dias consecutivos. Tenho duas filhas pequenas, e quando a mais nova tinha dois meses e meio houve um evento no Acre que gostaria muito de ter ido, mas a pediatra proibiu. Então, definitivamente, não é um espaço pensado para mulheres”, concluiu.

Elisa Guaraná, da ADUR, também citou sua experiência na Associação. “Estamos em um segundo mandato só com mulheres na direção da entidade, apesar de historicamente sermos minoria nessa função. Mesmo diante dos muitos obstáculos, é uma experiência valiosa pra gente, pois focamos com muita intensidade quais eram os principais desafios das mulheres no movimento sindical para superá-los”, disse. “Embora seja ainda majoritariamente masculino, o movimento sindical também deve servir como espaço de acolhimento para as mulheres se sentirem atendidas em suas principais reivindicações. Para isso precisamos sempre buscar uma participação compartilhada”, defende a presidenta da ADUR.

Outras questões tratadas durante a live foram o assédio moral e sexual, tema sobre o qual a ADUR mantém um manual de orientação, a caracterização da defesa de assuntos de interesse das mulheres, minimizando sua importância, e a proposta de realização de encontros sistemáticos entre lideranças femininas no movimento sindical.

O debate pode ser assistido na íntegra pelo Canal Imprensa ADUR, no YouTube, no link:

 


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