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Dono das maiores taxas de juros do mundo, por que os juros não caem no Brasil?

 

Deputados federais participam do debate sobre a taxa de juros no Brasil

16 de março de 2023

Assessoria de Imprensa da ADUR-RJ

Na última terça-feira, 13, o mandato do Deputado Federal, Lindenberg Farias promoveu um ato na sede da ABI, no Rio de Janeiro, para debater o problema dos juros no Brasil.No evento, parlamentares como Jandira Feghali, Lindbergh Farias, Gleisi Hoffmann e Guilherme Boulos falaram sobre a importância do assunto fazer parte das mesas de debate das entidades de representação dos trabalhadores.

Para a diretoria ADUR-RJ é fundamental que os trabalhadores entendam por que os juros não caem no Brasil e o que a autonomia do Banco Central (BC) tem a ver com isso. Para entidade é imperativo que seja feita uma ampla campanha para esclarecer à população o que está acontecendo, e porque o país permitiu que o BC se transforme em uma autarquia sem compromisso com a agenda social do país. A chamada “Frente Parlamentar contra os Juros Abusivos” tem o apoio da diretoria da entidade que realizará um amplo debate sobre o tema junto à comunidade acadêmica da UFRRJ.

É um fato que o Brasil tem os maiores juros reais do mundo (13,75%), assim como também é um fato que a situação desagrada o governo Lula. Em fevereiro, os governistas apresentaram a frente contra os “juros abusivos” na Câmara, cujo objetivo é debater e, consequentemente, explicar para a população as razões dos juros estarem em um patamar tão elevado, e de que forma é possível mudar esse cenário, promovendo crescimento econômico e geração de empregos.

Existe uma explicação para a situação monetária que o país está atravessando. Desde que o Banco Central (BC) brasileiro ganhou autonomia do governo, uma iniciativa do governo de Jair Bolsonaro em 2021, a política monetária do país saiu do controle político e dos representantes eleitos e passou para o mercado financeiro.

Como a inflação estava descontrolada, o BC passou a aumentar a taxa de juros. A lógica do aumento seria tornar o dinheiro “mais caro”, reduzindo o consumo e a pressão sobre os preços. E como apontou o deputado federal Lindenberg Farias, quem discordasse deste entendimento era taxado de “terraplanista econômico”.

A estratégia do então ministro da economia, Paulo Guedes, teve pouco sucesso para controlar a inflação, que fechou o ano acima da meta. Os  juros altos assustam os empreendedores brasileiros. Como explicou a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, “as medidas econômicas do último governo impossibilitaram que a classe média e os mais pobres pegassem empréstimos para financiar seus projetos”.

A política monetária do BC, hoje defendida pelo pelo presidente da instituição (e representante dos bancos), Roberto Campos Neto, faz parte de uma agenda incompatível com o programa de governo do presidente Lula.

Como disse a presidente do PT, o problema em si “não é a autonomia do BC, mas a escolha de manter os juros altos”, em “desacordo com o programa econômico do governo eleito pelo povo brasileiro”. A autarquia alega que o país enfrentará inflação alta nos próximos anos, e por essa razão, os juros devem se manter em um patamar elevado.

Em sua fala, Jandira lembrou que o presidente Lula enviou no dia 8 de Março um projeto de lei ao Congresso Nacional determinando a paridade salarial para as mulheres na mesma função no mercado de trabalho. “A primeira coisa que a gente precisa pensar é que a mulher precisa de emprego para ter a igualdade salarial. E com esses juros, não tem emprego”, observou Jandira, que também criticou os atuais representantes do BC e suas políticas de juros.

Ao tornar o BC independente, como disse o deputado federal Guilherme Boulos, foi criada uma “pressão sobre o governo que é descomunal”, pois é impossível tocar a agenda político-econômica do país enquanto o principal agente de políticas monetárias age de modo a sabotar qualquer projeto.

Em seu discurso, Boulos convocou a realização de atos por todo o país em defesa do corte da taxa de juros. Na próxima segunda-feira (20), está planejado um evento em São Paulo. No dia seguinte, Brasília deve receber uma manifestação em frente à sede do Banco Central. Na data, terá início a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) para definir como ficará a Selic.

Como entidade sindical, defendemos um Brasil que seja capaz de determinar, por meio de seus representantes eleitos, o que é prioridade dentro de sua agenda econômica e social. É hora de acertar as arestas deixadas pelo fracasso econômico do último governo. O Brasil demanda crescimento, geração de empregos e empreendedorismo social.

#JUROSBAIXOSJÁ

 

 


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