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Novembro Negro – Ricardo Dias da Costa

👩🏾‍🦱 Continuando as postagens temáticas sobre o mês da Consciência Negra, hoje a ADUR traz o relato do professor do curso de Turismo, no Instituto Multidisciplinar, Ricardo Dias da Costa. Ricardo, que também é coordenador do Laboratório de Estudos Afro-brasileiro e Indígenas da Rural, Leafro, fala sobre sua formação, sobre atuar no campus da UFRRJ com o maior número de docentes que se autodeclaram pretas e pretos, sobre como trabalha o tema das relações etnico-raciais na formação dos turismólogos, entre outros.

💬 “Pela própria característica do meu curso e pelas disciplinas que leciono, por exemplo, ‘agência de turismo e operacionalização de roteiros’, ‘turismo e acessibilidade’, entre outros, eu tenho oportunidade de trazer a discussão da relação do turismo com a educação para as relações étnicos-raciais. Esta abordagem, dentro do turismo, é muito importante e muito potente tendo em vista que é forte a presença das relações interpessoais no dia a dia de um turismólogo.”

📖 Confira o relato completo do professor.

 

Sou professor Ricardo Costa e leciono nos cursos de Bacharelado e licenciatura em Turismo. Eu quero agradecer muito o convite pela ADUR, na pessoa da Pollyana, que é a jornalista da Associação, a quem eu agradeço muito e também agradeço à Associação na pessoa da professora Elisa Guaraná pelo convite para falar um pouco da minha experiência como professor preto na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

Eu sou formado em Turismo e atuo no Instituto Multidisciplinar, no Campus de Nova Iguaçu. Sou homem preto, turismólogo que é título de quem se gradua em Turismo, nascido em Belo Horizonte. Quando cheguei na Rural em 2011, fui muito bem recebido pelos colegas do Instituto bem como os do curso de Turismo.

Cabe destacar que o IM, hoje, é o Instituto que mais tem docentes que se autodeclaram pretas e pretos. E fazer parte desse time me enche de orgulho. Hoje, além de ser representante docente na Associação de Docentes da UFRRJ, ADUR, também, estou como coordenador do Laboratório de Estudos Afro-brasileiro e Indígenas da Rural, Leafro. O Leafro é um laboratório que congrega pesquisadores pretos e não pretos, pretas e não pretas, que discutem as relações étnicos-raciais nas suas mais diferentes dimensões, e tem como pano de fundo a luta antirracista, principalmente dentro do espaço da nossa universidade. 

Pela própria característica do meu curso e pelas disciplinas que leciono, por exemplo, ‘agência de turismo e operacionalização de roteiros’, ‘turismo e acessibilidade’, entre outros, eu tenho oportunidade de trazer a discussão da relação do turismo com a educação para as relações étnicos-raciais. Esta abordagem, dentro do turismo, é muito importante e muito potente tendo em vista que é forte a presença das relações interpessoais no dia a dia de um turismólogo. Quer seja em uma área de turismo, hotelaria, atuando como profissional da área de eventos, em meios de transporte, restaurantes ou nos mais diversos segmentos profissionais no trade de turismo.

Eu reconheço que racismo estrutural existe não só na Rural, mas dia após dia luto com as armas que tenho para mitigar os seus efeitos, principalmente dentro da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

Esta luta por uma Rural antirracista se dá de diferentes formas quer sejam elas por intermédios de pesquisa, pelos grupos de pesquisa que sou coordenador, grupos de pesquisa em turismo e relações étnico-raciais, por outros grupos de pesquisa que eu faço parte, e por minha participação no Observatório das políticas de ações afirmativas do Sudeste (OPAS).

Bom, o tempo é curto para tantas informações. Mas acho que dentre estas todas, a mais importante é: a contribuição que posso oferecer aos meus alunos pretos, pretas e não pretos e não pretas é sobre como lidar com as relações étnicos-raciais no dia a dia de suas vidas, tanto pessoais quanto profissionais.


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