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Professores da Rural promovem atividades em campanha contra o racismo

Durante o mês de março, todas as universidades do estado do Rio de Janeiro promoveram ações em prol da campanha “21 dia de ativismo contra o racismo“. Foram dezenas de atividades entre debates, oficinas, rodas de conversa, cine-debates e seminários acontecendo nas universidades, em escolas públicas, centros culturais e de estudos da questão negra, sindicatos, OAB, Câmara Municipal, em praças públicas, etc. O objetivo da campanha foi o de debater sobre as questões étnico-raciais, além de abordar as várias formas de manifestação do racismo e dar instruções de como denunciá-lo.

“Esse governo está levando a gente para o inferno. Não dá mais para a gente ficar fazendo as coisas um ali outro aqui. Então é preciso ter uma unificação e a gente resolveu começar com essas ações”, declarou Luiz Fernandes de Oliveira, professor do curso de Licenciatura em Educação do Campo da UFRRJ e integrante do Laboratório de Estudos Afro-Brasileiros (Leafro).

A Rural participou da campanha com atividades organizadas principalmente por professores que pesquisam e militam no campo das relações étnico-raciais. Aconteceram ações nos três campi, inclusive no Instituto de Três Rios, onde a professora do Departamento de Ciências Administrativas e Sociais, Camila Daniel, organizou a oficina de leitura “Mulheres Negras Escrevem sua História”.

“Antes de saber da campanha, eu já tinha agendado uma oficina de leitura para discutir a presença das mulheres negras na literatura, como parte de um projeto de extensão do qual sou vice-coordenadora. Através do professor Otair, do IM, eu soube da campanha e então nós incluímos essa oficina ao calendário de mobilização”, contou.

No encontro, a professora Fabiana Pinho, do IFRJ, apresentou contos do livro Olhos d’água, de Conceição Evaristo e discutiu sobre o apagamento de escritoras negras na literatura brasileira, mesmo com vasta produção.

 

Racismo e assédio

Já no Instituto Multidisciplinar, em Nova Iguaçu, uma das atividades foi o debate sobre racismo institucional e assédio moral. Na abertura da atividade, o professor Luiz Fernandes contou que a necessidade da discussão surgiu porque aconteceu um caso de racismo dentro da instituição. “Uma estudantes sofreu racismo no Programa de Pós-graduação em Educação. O programa então aprovou uma nota de denúncia do professor em questão à comissão de ética da Rural. Um dos desdobramentos desse grupo de alunos foi fazer esse debate sobre assédio racial, assédio institucional e assédio moral”, explicou.

A atividade aconteceu no pátio do Instituto Multidisciplinar. Foto: Pamela Machado

No debate Luciene Lacerda, pesquisadora do Laboratório de Ética nas Relações de Trabalho e Educação da UFRJ, explicou quais comportamento podem ser identificados como assédio moral, além de quais os tipos de assédio uma pessoa pode sofrer. Assédio de gênero, assédio racial, assédio sexual que podem acontecer de chefes com relação à funcionários subordinados, de empregados sobre os chefes e também entre trabalhadores do mesmo escalão.

“As pessoas assediadas costumam ser aquelas que exercem bem o seu trabalho. O assédio alimenta o produtivismo, a competitividade e faz com que a pessoa assediada se isole, que é exatamente o que os assediadores querem. A intenção dele é o poder”, explicou Luciene.

Durante o debate, o público lembrou casos de racismo com ampla divulgação e tiraram dúvidas sobre o que pode ser considerado assédio. Foto: Pamela Machado

 

Todos os dias são dias de luta contra o racismo

O propósito da campanha foi o de aproximar os grupos que já desenvolvem atividades relacionadas às questões étnico-raciais agregando duas datas importantes: o Dia Internacional da Mulher e o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, instituído pela ONU no dia 21 de março. No entanto, o trabalho desses grupos acontece cotidianamente. Aqui, nós destacamos os grupos ruralinos, Laboratório de Psicologia e Informação Afro-Descendente (LAPSIAFRO), o Laboratório de Estudos Afro-Brasileiros (LEAFRO) e os coletivos de estudantes Núcleo Universitário Negro (NUN) e o Coletivo de Mulheres Negras da UFRRJ Alice Bruno.


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