1° Fórum das Entidades da UFRRJ em defesa das eleições e da democracia

A mesa de abertura do Fórum contou a mediação da diretora da ADUR-RJ, Patrícia Bastos e o palestrante, professor e Coordenador do Núcleo de Estudos da Política da UFRRJ (NUEP-UFRRJ), Luís Edmundo de Souza Moraes
19 de agosto de 2022
Imprensa da ADUR-RJ
Com objetivo de dialogar com a comunidade acadêmica e a sociedade civil sobre os constantes ataques do governo federal aos poderes da republica e o seu projeto de ruptura institucional com sérias implicações para com o futuro do país, a ADUR-RJ, Sintur e o DCE da UFRRJ realizaram, no último dia 18, o 1° Fórum das Entidades da UFRRJ em defesa das eleições e da democracia. O evento que está sendo realizado no Auditório Gustavo Dutra (P1) tem na sua programação debates, também, no dia 23 e 01 de setembro.
Na abertura o debate girou em torno da Democracia, do Bolsonarismo e a extrema-direita no Brasil. O palestrante convidado, o Coordenador do Núcleo de Estudos da Política da UFRRJ (NUEP-UFRRJ), professor Luís Edmundo de Souza Moraes, destacou as causas da atual ascensão de movimentos e partidos de extrema-direita. “Estamos vivendo um momento de ascensão, mais ou menos súbita, da extrema-direita no mundo. Compreender o crescimento do apelo social da extrema-direita é compreender a multiplicidade de razões que podem fazer com que pessoas apostem nisso como uma solução. Há uma tese clássica: numa situação de crise, as pessoas apostam nisso como uma saída. É uma explicação que acompanha o fenômeno do fascismo e do nazismo desde os anos 20 e 30. A crise, por si só, deslancha a necessidade de mudança, a expectativa por coisas novas. Mas o ponto principal é: antes mesmo de a crise se instalar, tem de haver algum tipo de construção moral, política e ética que faça com que as soluções de extrema-direita sejam aceitáveis.”
Sobre o Brasil, o professor afirmou que “existe um crescimento brutal em relação ao apelo popular e eleitoral de Jair Bolsonaro. A explicação está relacionada aqueles mais afetados pela crise, outros menos. Mas o que talvez seja comum entre eles – desde os mais nitidamente fascistas até os menos – é talvez a ideia de que os elementos do programa típico da extrema-direita (excludentes, que recusam a pluralidade do espaço público) não são um problema. É importante frisar que mesmo Bolsonaro defendendo a tortura se consolidou em diversos espaços públicos no país a ideia de que a tortura não é propriamente um problema. E isso é uma condição necessária para o voto em Bolsonaro. Estabeleceu-se em diversos espaços públicos a ideia de que a ditadura não foi um regime criminoso, “não foi tão ruim assim”. O espaço público está atravessado por um conjunto de mensagens e informações que vão fazendo com que as pessoas se tornem maleáveis à ideia de que a ditadura não foi um problema, não foi um regime criminoso e que “colocou ordem no Brasil”.
A mediadora, profª e diretora da ADUR-RJ, Patrícia Bastos, fez questão de registrar que “a onda conservadora não é um movimento novo e sim já estava estacionada na estrutura social do país que nasce escravocrata assassinando as nossas populações indígenas. Além disse existe uma forte formação machista por conta das origens oriundas da península Ibérica”.
Durante o debate a docente Moema Guedes (Ciências Sociais), o professor Marcelo Fernandes (Economia), o Presidente do Sintur, Estevam Fernandes e as estudantes Maria Clara, Erica e Ana Clara(todas das Ciências Sociais) fizeram uma série de intervenções sobre a influência da economia nas eleições, a importância da defesa da questão de gênero, e existência do racismo e os ataques do governo federal à educação e à ciência.
Na mesa de debate sobre a conjuntura nacional, a diretora da ADUR-RJ, profª Beatriz Wey, ressaltou a importância de defender o estado democrático de direito. “A nossa democracia está em risco e sendo atacada cotidianamente pelo governo federal que criminaliza a ciência, pesquisa, educação e durante a pandemia negou a vacina. A sua cruzada contra o judiciário, o grande guardião da constituição de 1988, mostra o desprezo do Executivo ao estado democrático de direito. Diante deste cenário se torna urgente a união das forças democráticas e progressistas para derrotarmos este projeto marcado pelo ataque à democracia e seus valores de liberdade”.

A diretora da ADUR-RJ, profª Beatriz Wey, e o presidente do Sintur, Estevam Fernandes, ressaltaram a importância das entidades da UFRRJ na luta em defesa das universidades públicas
O presidente do Sintur, Estevam Fernandes, fez um paralelo entre o ex-presidente Collor e o atual mandatário. “Os dois tem em comum a destruição do estado social com a intenção de privatizar tanto setores estratégicos como a Petrobrás e a Eletrobras bem como as universidades públicas e seus laboratórios de pesquisa. Por isso não podemos titubear em relação atual conjuntura. Temos que derrotar o projeto neoliberal vigente”.
Venham participar!
No dia 23 (terça-feira) tem mais debate. Confira a programação:
10h – Atividade com coletivos e movimentos sociais e culturais de Seropédica.
14h – Democracia, eleições 2022 e Relações Internacionais, com os professores de Relações Internacionais, Luís Felipe Osório e Maria Villarreal. Mediação Fernando Gerais, coordenador jurídico do SINTUR-RJ.
Todas as mesas serão no Auditório Gustavo Dutra, no P1.
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