1º de maio: sindicalismo e conquistas
Reportagem da Semana
30 de abril de 2021
Imprensa ADUR-RJ
O dia 1º de Maio representa um marco na história dos trabalhadores e é uma homenagem aos operários de uma greve na cidade de Chicago, no ano de 1886. O Dia do Trabalhador nos atenta para a importância da consciência de que no capitalismo não há vez para os trabalhadores, salvo quando, organizados pelo sindicalismo e por partidos ligados à causa, desafiam as exigências impostas pelo capital.
No Brasil, desde a Reforma Trabalhista de Michel Temer, deflagrada após um golpe político na presidente eleita, Dilma Rousseff, os sindicatos foram esvaziados, perdendo o seu poder de barganha e a capacidade de luta organizada contra as amarras do capital. Quando Bolsonaro assumiu, passou a destruir as políticas de valorização dos trabalhadores, como o reajuste do salário mínimo acima da inflação, que desde 2004, ainda no governo Lula, vinha elevando o padrão de renda dos mais pobres e dos aposentados.
Durante a era Lula, com a implantação da fórmula de acrescentar ao benefício o crescimento do PIB de dois anos anteriores junto da inflação, o salário mínimo atingiu um aumento de 155% em relação à 2002, sendo 53,6% de aumento real, descontando-se a inflação. Além disso, entre 2003 e 2014, o Brasil criou 20 milhões novos postos de trabalho formais, o que representa um crescimento no volume de emprego de 5% por ano, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais, do Ministério do Trabalho e Emprego).
Após o duro golpe de 2016, vieram os retrocessos: em 2018, o aumento do salário mínimo ficou abaixo da inflação, o que não ocorria desde o primeiro ano de mandato de Lula. O governo de Michel Temer ainda registrou o fechamento de 1,321 milhão de vagas de emprego naquele ano.
Em 2020, com a chegada da pandemia da COVID-19, aumentou o nível de precarização das condições de trabalho e consequentemente o índice de profissionais autônomos desassistidos e dos profissionais que tiveram que se adequar ao trabalho remoto.
Resistência dos trabalhadores diante do fascismo e do neoliberalismo
No cenário brasileiro atual, os direitos dos trabalhadores são constantemente ameaçados pelas canetadas de um presidente retrógrado, que faz valer da força de suas determinações um agrado à alguns grupos sectários da sociedade brasileira. Parte da direita fascista bolsonarista acredita fielmente que professores universitários são propagadores do “marxismo cultural”, que ninguém sabe exatamente o que significa, e parasitas do dinheiro público. O desrespeito aos servidores se tornou outro motivo de preocupação, uma vez que os mesmos são constantemente atacados e ameaçados nas bolhas da internet das redes sociais bolsonaristas. Com efeito, derrubou-se o ministro da educação, Abraham Weintraub, por sua conduta fascista escancarada, mas os outros ministros ideológicos do governo seguem no cargo, com o aval de banqueiros e empresários.
Por esta razão, possivelmente nunca foi tão importante falarmos de sindicalismo no Brasil e de luta organizada no Dia do Trabalho. Como se tem visto, o ministro da Economia, Paulo Guedes, figura pequena e desmoralizada, é um arauto dos interesses do capital, impondo duras derrotas aos brasileiros desde que chegou ao poder com a chancela do presidente Jair Bolsonaro. Na última semana, inclusive, saiu do gabinete de Paulo Guedes a nova flexibilização das leis trabalhistas. Entre as novas determinações, redução dos salários e fim de alguns direitos garantidos por lei.
O ministro Paulo Guedes é um obsessor do funcionalismo público declaradamente contrário aos direitos dos servidores e professores, profissionais que ao longo dos anos revelaram-se as últimas fortalezas do sindicalismo no Brasil. Se não fosse a pandemia, estaríamos nas ruas hoje, e também no dia 1º de Maio, em luta contra um governo cujo objetivo é perseguir conquistas. Parte da direita brasileira acredita que a pandemia trouxe problemas inesperados para um governo que poderia ter dado certo. Mas nós, do outro lado, temos a certeza de se não fosse a pandemia, o presidente já teria sido destituído por força das ruas. A inércia de um povo paralisado por 400 mil mortes é o motor da locomotiva destruidora de direitos comandada por Paulo Guedes.
Analogamente, como parte dos bolsonaristas acredita que a pandemia é uma “gripezinha”, eles já estão convocando manifestações para o Dia do Trabalho. Não lutarão, como deveriam, pelos direitos e conquistas dos trabalhadores, e tampouco lembrarão do genocídio promovido pela polícia norte-americana em 1886, quando o país mais capitalista do mundo decidiu que era preciso conter a incessante busca pelo lucro dos empresários. A trupe de Bolsonaro irá às ruas lutar pela possibilidade de trabalhar apesar dos iminentes riscos causados pela COVID-19. Neste sentido, a necrocampanha do governo sempre foi clara: a economia é mais importante do que as vidas que a movimentam. Não há nenhuma surpresa, tampouco, na tentativa agressiva de reescrever a história: periga o dia 1º de maio de 2021 ser o dia em que os brasileiros foram às ruas defender o direito dos empresários de ficarem mais ricos.
É por esta razão que a ADUR-RJ convoca todos os trabalhadores do Brasil a revisar a história do dia 1° de Maio, pois a organização dos trabalhadores nunca foi tão necessária. Se, por um lado, servidores enfrentam teorias absurdas sobre privatização do Brasil (e com elas as ameaças), a exemplo do fracassado “Future-se” ou mesmo dos programas para a pasta de Saúde do governo federal, o trabalhador da iniciativa privada está cada vez mais desassistido, entregue à sua própria sorte, como prevê a reforma previdenciária de Bolsonaro. O mundo mergulhou fundo e se transformou muito rápido após a digitalização do mercado de trabalho. Esta é a hora do sindicalismo voltar mais forte, mais presente, renovado. Neste dia 1º de Maio: ou impomos nossas vontades à força do capital, ou por ela seremos domados. Trabalhadores do mundo, uni-vos!
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